Autoras
Cecília de Oliveira Lúcio Tavares
Minibiografia
Nascida em 12 de setembro de 1995, é graduada em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e possui curso técnico integrado em Informática pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN). Participa de eventos literários, como o Festival Literário de Currais Novos (FLIC), e de exposições de arte, a exemplo de ‘O real imaginário: amizade e arte do sertão ao litoral’, realizada na Casa de Cultura Popular Sobrado do Padre Brito Guerra, em Caicó/RN, onde atuou na curadoria. Possui um perfil na plataforma Substack, no qual compartilha seus processos de escrita e obras. Em 2025, foi premiada no concurso ‘Missivas Seridoenses’ com uma carta dedicada à Serpente do Poço de Sant’Ana. Recentemente, publicou o zine ‘Eu inventei o Nordeste’, que aborda o pertencimento e a valorização da cultura nordestina.
Atua como poetisa, escritora e curadora de arte.
Como poetisa assina como Cecília Tavares.
Entrevista
Entrevista realizada em 29 de junho de 2025.
“Sou filha de professores, então cresci numa casa com muitos livros. Além disso, meus pais e várias pessoas que eu conhecia, como a poeta Lisbeth Lima, escreviam. Regina Azevedo diz que conhecer poetas vivos é muito importante para considerar a possibilidade de escrever, então para mim isso veio muito cedo. Apesar disso, demorei para me ver como poeta, para mim eu era apenas uma pessoa que escrevia.”
“Sim. Quando mais nova escrevia muito sobre mim e meus sentimentos, mas já há alguns anos a maioria dos meus poemas busca investigar meu lugar no mundo e meus pertencimentos como latino–americana e nordestina. É o tema do meu zine Viagens de Jaraguá. “
“Acho que a noção de que a literatura escrita por mulheres é uma “literatura menor” e pode ser categorizada indiscriminadamente como “literatura feminina“, não importando o tema da obra ou o gênero literário ainda é prevalente e atrapalha bastante. Além disso, além dos desafios que são comuns aos escritores no Brasil, como não poder viver da escrita e precisar ter outro trabalho, as mulheres ainda vivem a questão da dupla, tripla jornada, com ainda menos tempo para se dedicar a atividades de seu próprio interesse como a escrita. A questão de escrever e residir fora do eixo Rio–São Paulo pesa muito também, pois embora os preconceitos e falta de oportunidades afetem todos os escritores, para as mulheres pode ser ainda mais difícil viajar para um evento em outra região, por exemplo, devido à segurança e a serem as principais responsáveis por filhos/casa/idosos/animais. A isso muitas vezes se somam ainda outras opressões, como as que são enfrentadas pelas mulheres trans e pelas mulheres negras e indígenas.”
Materiais de divulgação, conteúdos e referências
Escrita
Jaraguá
Gosto muito dessa ideia
de virar o mapa de ponta-cabeça
(ou de pés no chão pela primeira vez),
deixar a América do Sul e a África em cima,
transformar nossa América num bicho
pescoçudo,
num jaraguá de Boi de Reis
espiando o mundo inteiro lá do alto,
dançando eternamente
entre o Atlântico e o Pacífico
uma melodia popular.