Autoras
Iara Maria Carvalho Medeiros dos Santos
Minibiografia
Nascida em 24 de dezembro de 1980, é graduada em Letras e Mestra em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Desenvolveu o projeto de pesquisa “O Niilismo Utópico na Poesia de Augusto dos Anjos”, do qual resultou na dissertação “O Arbusto dos Anjos” (2009). Atualmente, cursa pós-graduação em Gestão em Organizações do Terceiro Setor e Projetos Sociais. É coordenadora executiva e metodológica do Comitê de Cultura do RN no Seridó, por meio do Casarão de Poesia, como parte do Programa Nacional dos Comitês de Cultura. É idealizadora da Botija Produções, que oferece serviços de assessoria técnica para artistas e gestores culturais. Possui mais de 600 horas de cursos livres de formação em Produção e Gestão Cultural. Atua como Produtora Cultural há 15 anos e já trabalhou como parecerista em editais regionais e culturais. É uma das organizadoras do Festival Literário de Currais Novos (FLIC), que realizou, em 2025, a sua 5ª edição e membro do Casarão de Poesia, uma biblioteca comunitária e espaço cultural (ONG), em Currais Novos/RN.
Atua como poetisa, produtora e gestora cultural, parecerista de editais e escritora.
Como poetisa assina como Iara Carvalho.
Entrevista
Entrevista realizada em 25 de julho de 2025.
“A Literatura entrou na minha vida na época da minha infância, nos livros com que tive contato em casa e na escola. A minha mãe e meus professores foram os primeiros que me apresentaram textos de autores que me marcaram, como Cecília Meireles, Carlos Drummond e Mário Quintana. Lembro que, na infância, escrevi meu primeiro poema marcante para a época, motivo de elogios dos professores e de minha mãe, mas não tenho registro dele.”
“O mercado editorial, embora tenha se ampliado e se diversificado muito nos últimos anos, ainda coloca dificuldades para a publicação de mulheres. Assim como uma certa visão estereotipada, entre o grande público, de que mulher deve escrever apenas sobre certos temas, como amor, erotismo ou temas numa perspectiva feminista. E a verdade é que a mulher pode ser simplesmente escritora, não uma representante de uma poesia feminina ou escrita por mulheres. Apenas escritora.”
“Minha escrita, comumente, não levanta bandeiras, explicitamente. Eu entendo que a proposição de falar sobre qualquer coisa, através da poesia, é, por si só, um ato revolucionário. Mas meu novo livro traz um teor mais explicitamente feminista, de crítica aos processos de violência sofridos pela mulher em nossa sociedade; contudo, a tentativa é a de construir essa abordagem de forma que a literatura não esteja a serviço de uma causa, e sim a causa ser motivo de um trabalho político com a linguagem.”
“É uma ótima oportunidade de troca e afetividade, pois, cada vez que olhares diversos se debruçam sobre meus textos, eu sinto que o que nos move na apreciação da arte é, antes de tudo, uma maneira de encontrar a nossa própria humanidade, seja no processo de identificação com outro, seja no estranhamento.”
Materiais de divulgação, conteúdos e referências
Escrita
Musa
Esta poesia não é erótica, moço.
Eu não escrevo poesia erótica, moço.
Por que insiste tanto em poesia erótica, moço?
Você, por acaso, quer me comer, moço?
Escrevo poesia para comer:
comer palavras
comer incêndios
até homens, eu como, quando escrevo poesia.
Eu escrevo poesia para comer
para viver
para morrer
isso tudo é erótico.
Só não quando como homens:
quando como homens,
o estômago dói
pela morte das borboletas.