Autoras
Maria das Dôres Medeiros Rocha
Minibiografia
Nascida em 22 de setembro de 1977, é graduada em História e Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Seu primeiro contato com a literatura ocorreu no seio familiar: todas as noites, sua irmã mais velha lia cordéis para a família e alguns vizinhos. Foi assim que, aos oito anos de idade, antes mesmo de ingressar na escola, ela passou a memorizar cordéis inteiros e a recitar pequenos poemas em ocasiões festivas, como o Natal. A primeira publicação da autora foi o livro ‘A Serra de Fogo: História de Vida dos Trabalhadores do Algodão de Ipueira-RN’. Em 2014, publicou ‘Ipueira: Tradição, Costumes e Perenidades’; ambas as obras são acadêmicas e contemplam a história e a memória ipueirense. Em 2020, devido à pandemia, conheceu vários poetas pelas redes sociais e passou a compartilhar suas poesias. Na época, seus textos não seguiam um estilo único, mas, à medida que os laços se estreitavam com o grupo Cordel das Rosas, sentiu a necessidade de fazer uma escolha identitária, optando pelo cordel. No mesmo ano, lançou o folheto ‘São João em tempo de Pandemia’.
Poetisa e cordelista.
Maria das Dôres Medeiros Rocha, como poetisa assina como Dorinha Rocha.
Entrevista
Entrevista realizada em 6 de setembro de 2025.
“Vivemos em uma sociedade em que, por séculos, as mulheres que liam eram consideradas perigosas, nocivas à sociedade. Muitas mulheres escreveram usando pseudônimos, pois não era delas o lugar de escrita. Hoje, nós mulheres, enfrentamos diversos preconceitos, seja pelo que lemos ou por aquilo que escrevemos. Lembro-me de que certa vez, ao conduzir o livro ‘Histórias Íntimas’, da historiadora Mary Del Priore, fui olhada com censura por alguém que, sem conhecer a obra, julgou ser essa uma leitura imprópria. Percebo então que para muitos ainda há o que é próprio e impróprio na escrita ou leitura de uma mulher. Mas para mim, o maior desafio é sobretudo conciliar a escrita com as inúmeras tarefas, pois sabemos que, apesar de todas as conquistas, a mulher ainda é sobrecarregada por inúmeras tarefas, tradicionalmente atribuídas a nós.”
“Eu digo sempre que todas as vezes que uma mulher conquista algo, essa conquista não é só sua, é uma porta que se abre para tantas outras, é sobre dizer que ninguém tem o direito de dizer sobre onde e qual é o nosso lugar, esse direito pertence a cada uma de nós. A escrita feminina traz para a literatura um novo olhar sobre os fatos, novas temáticas e novas abordagens, entra em cena a razão e a sensibilidade.”
“Engraçado, outro dia estava assistindo a um podcast, e uma jovem mulher negra fazia uma reflexão muito bem fundamentada sobre o colonialismo do Ocidente. É visível o espanto das pessoas através do comentário, é como se não esperassem uma fala daquela vinda de uma mulher, ou seja, lutar pela equidade de gênero vai além da bandeira do feminismo, significa não somente estar no mundo, mas se importar com ele, em entender, impactar com suas falas e atitudes.”
“Cada cordel trata de uma temática específica, que pode muito bem ser explorada em diversos conteúdos, seja no campo da memória, das linguagens ou da História, mas o grande mestre dessa obra é o professor, é ele o arquiteto do ensinar, com objetivos claros , metas e estratégias, um ensino problematizado, para desse modo construir uma aprendizagem significativa.”
Materiais de divulgação, conteúdos e referências
Escrita
Se você não me conhece
Eu vou me apresentar
Sou menina sou mulher
Sou cultura popular
Sou cantiga de viola
Que vai do Sertão ao mar.
Não há nó que eu não desate
Porque minha reza é forte
O meu santo é poderoso
Sou Paraíba do Norte
Sou sertaneja valente
Daquelas que têm suporte.
Ser sertaneja para mim
É motivo de orgulho
Fui criada no roçado
E com nada me embrulho
Minha grande habilidade
É desmanchar pedregulho.