Autoras
Minibiografia
Soraia Rodrigues Dantas Saldanha, que adota o nome social Sol Saldanha, nascida em 17 de dezembro de 1978, é graduada em Letras – Língua Portuguesa. Atua no Núcleo do Livro, Leitura e Biblioteca – CODESE/SEEC e exerce a função de Técnica Pedagógica na Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e Lazer do Rio Grande do Norte. Além de sua atuação na gestão educacional, é professora, poetisa e ativista cultural com expressiva trajetória na região do Seridó. Sua atuação é marcada pela participação ativa em eventos literários, como o Festival Literário de Currais Novos (FLIC). Como mediadora de conhecimento, destaca-se pela condução de atividades formativas, a exemplo da “Oficina de Iniciação na Escrita de Mulheres Pretas”, ofertada pelo SESC-RN.
Poetisa, professora e agente cultural.
Como poetisa, assina como Sol Saldanha.
Entrevista
Entrevista realizada em 06 de julho de 2025.
“Através do meu avô, cantador de viola, professor e exímio leitor de cordéis. Eu tinha 14 anos quando escrevi meu primeiro soneto, mas bem antes disso já fazia uns arremedos poéticos.”
“Sim. A mulher negra sempre foi meu recorte favorito, o “EU” desnudado de pudor, formalidades e convenções, da fêmea e bruxa, que sou por essência, sempre esteve nas minhas escritas. Seja em poesia ou prosa.”
“Com certeza. A caminhada de luta é longa , mas os avanços são recentes. Ainda ontem escrevíamos com pseudônimos de homens ditos inclusivos, então, o universo literário ainda respira o apagamento das nossas existências, sobretudo com a intersecção da raça.”
“Tornem-se. Registrem em diários, cantinhos de folhas tímidas, capas de caderno, redes sociais etc. Não deixe que digam a vocês que seus escritos não têm valor ou que os títulos pertencem a quem consegue publicar.”
Materiais de divulgação, conteúdos e referências
Escrita
Po-RR-eta
Não sou poeta, entre o Pôr do Sol e essa reta linguística,
dígrafos demais.
Minhas palavras não são vendáveis.
Elas desenham a mim,
e o que sou não tem valor de mercado.
Não tenho livros publicados, nem um sequer.
Não rimo rico, não meço, não estruturo e sequer uso a normativa culta.
O chulo me apetece,
o grotesco me inspira e a mulher seminua,
trôpega com os saltos na mão,
com olhos negros vazados de verniz
é a minha musa maior.
Não, não sou poeta!
Quanto a vender palavras, nunca me atreveria, despejo-as
em vômitos de ressacas após a boemia.