Autoras
Santana Taciana Mariz Felix (Taciana Tapuia Paiaku)
Minibiografia
Santana Taciana Mariz Felix (Taciana Tapuia Paiaku) nascida em 10 de setembro de 1999 é graduada em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Campus Caicó. Atualmente, é mestranda na mesma área pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).Pertencente à etnia Tapuia Paiaku do Seridó, integra a Associação Indígena Renato Soares. Sua trajetória intelectual e profissional é dedicada à preservação e ao estudo das populações originárias, desenvolvendo pesquisas, debates e palestras com foco na cultura indígena da região do Seridó.
Poetisa, pesquisadora e ativista.
Como poetisa, assina como Taciana Tapuia Paiaku.
Entrevista
Entrevista realizada em 25 de julho de 2025.
“Através da biblioteca da escola pública da zona rural, não lembro do primeiro texto.”
”
Sim. Os atravessamentos enquanto Mulher Indígena do sertão do Seridó (gênero, raça/etnia, e territorialidade); escritas sobre a natureza, relação com a terra, expropriação e exploração da natureza; escrita com a língua nativa materna do meu povo “Ketsekrá“, a língua dos sertões nordestinos, como o Brobó do povo Xucuru; escrita em cordel, martelo galopado, escritas livre de métricas, dentre outras. “
“Sim, o mercado literário não está preparado para lidar com escritas que ponham em risco – através da escrita fruto da experiência nativa – a sustentação da lógica euro patriarcal colonialista no mundo da literatura, da produção de conhecimento hegemônico, sobretudo nos sertões.”
“Sim. A defesa da caatinga enquanto filha dela e parte dela contra expropriação de grandes empresas multinacionais e outras formas de matar nossos ecossistemas; a cosmopercepção indígena Tapuia/Otxukayone e a condição de viver enquanto mulher indígena num mundo projetado para nossa extinção enquanto povo Originário.”
“Escreviva com as mãos de sua experiência: retorne para a terra, seja terra também.”
Materiais de divulgação, conteúdos e referências
Escrita
O Coração da Mulher
Eu “tava” no meu quintal
Só ouvindo os “passarinho”
Voando e cantando versos
Quando vi um “miudinho”
“Inheta” rodopiando
Chegando de mim pertinho
Lindo, lindo que ele era
Amarelo igual a ouro
Sua “cucuruta” preta
Suas asas de vindouro
Pequenas escurecidas
E no seu bico um tesouro
Em meu dedo ele pousou
E me disse logo assim:
-Moça pegue essa caixinha
Vá e guarde ela pra mim,
Pois aí tem a riqueza
Que vai salvar “nóis” “tudim”
Fiquei logo abismada
Perguntei: – “O que é que é?
Por que você, passarinho,
Em mim pousou o seu pé?”.
Respondeu: – “por que confio
No coração da mulher”