Autoras
Minibiografia
Nascida em 07 de setembro de 1994, em Natal, é formada em Serviço Social e em Pedagogia, Mestre em Antropologia e Especialista em História e cultura afro-brasileira. Trabalha como professora e arte educadora, além de ser artista independente e produtora cultural.
Gabriely Nascimento Varela, como poeta slammer, assina somente como Gaby Adaayo.
Entrevista
Entrevista realizada em 17 de outubro de 2025.
“A literatura entrou na minha vida a partir dos estímulos da minha mãe quando eu ainda era criança, ela também é pedagoga e sempre lia livros para mim. Isso fez com que eu fosse alfabetizada bem rápido, aos 6 anos eu já escrevia e sabia ler perfeitamente. Acho que o primeiro texto que escrevi foi uma poesia, mas também adorava inventar minhas próprias histórias”.
“Sim, existem alguns temas que são muito recorrentes em minhas produções, como as questões raciais, o ser mulher negra, minha espiritualidade, os territórios onde habito, a cultura popular que vivo. Todos os meus textos são um reflexo de quem sou, do que vivencio e do que me atravessa enquanto uma mulher negra artista, brincante da cultura popular, candomblecista e nordestina”.
“Terem seus escritos reconhecidos, divulgados e enaltecidos. Além das muitas dificuldades para publicarem seus livros. Até hoje tenho o sonho de ter um livro meu publicado e por diversas questões ainda não consegui, tenho textos publicados, mas em coletâneas junto de outras mulheres que acaba sendo a nossa saída para conseguir publicar”.
“Sim, falo muito sobre a mulher negra na sociedade e não apenas no lugar da dor, falo sobre nossas trajetórias, lutas, sobre nosso poder e ancestralidade. Busco desconstruir os olhares distorcidos sobre o continente africano e enaltecer suas contribuições para o mundo, de maneira geral meus textos buscam enaltecer o povo negro e compartilhar seus saberes e valores ancestrais”.
Materiais de divulgação, conteúdos e referências
Escrita
O céu é mais azul nessas terras daqui
A cidade mais limpa, o nome dela é Acari
As irmandades do rosário chegam para anunciar
Um legado de abundância e liberdade a cultivar
No Jardim do Seridó brotam flores diferentes
Nesse lugar ancestral a música é presente
Brincam alfaias e zabumbas
Pifes e espontões
São os negros do Rosário arrastando multidões
Não importa a idade, aqui todos podem brincar
E a coisa mais linda é poder ver as crianças dançar
Fitas coloridas enfeitam a nossa celebração
Sankofa anuncia um novo tempo de união
Nosso tambor tem som de liberdade, alegria e amor
Respeitem nossa fé, nossa tradição e a nossa cor
De São Gonçalo vieram os Congos
De Natal a Nação Zamberacatu
Juntos lá na Boa Vista debaixo de um pé de mulungu
Veio o Coco de Zambê, lá das praias de Tibau
Ressoando em seus tambores mais um ritmo ancestral
Eita que calor da peste! Deu até saudade da praia,
Mas só aqui no Seridó tem serra e açude pra eu balançar a minha saia
Canindés e Genipapos
Paiacus e Cariris
Viva os povos originários que fazem nossa terra mais feliz
Deram origem a esse povo, sua presença também é forte
Balançando o maracá nos dando todo o suporte
Batam palmas para as nossas rainhas, majestades e realezas
Mesmo invisibilizadas nunca perderam a nobreza
Matriarcado potyguar fazendo o fruto brotar
Abundância e prosperidade nos caminhos que passar
Aqui a cultura popular resiste
Com suas tradições persiste
De mãos dadas caminhando para um futuro de esperança
A cada brincante que existe