Autoras
Minibiografia
Nascida em 15 de abril de 1991, é graduada em Atuação na SP Escola de Teatro, em São Paulo.
Escritora e roteirista.
Como escritora, assina como Ana Carolina Marinho.
Entrevista
Entrevista realizada em 27 de agosto de 2025.
“Minha grande amiga de infância era uma leitora voraz e isso sempre me intrigou, porque eu não tinha o mesmo prazer na leitura. Mas o jeito que ela falava sobre os livros era instigante. O primeiro livro que li foi “A Dona Baratinha” e guardo na memória um de seus poemas. Comecei a fazer teatro aos 9 anos, eu era muito tímida. Aos 14, eu estava absolutamente apaixonada pelas artes e foi ai que também mergulhei no universo da literatura e passei a me apaixonar pelas histórias de ficção. Lembro de falar para minha amiga que agora eu entendia o que ela dizia que sentia quando lia. Eu fui nutrindo um interesse imenso por escrever e criar histórias e acho que o teatro foi fundamental nisso”.
“Penso que a vida cotidiana é o que mais me entusiasma, do ponto de vista daquilo que não está dado, mas está diante dos nossos olhos. Me entusiasmo pelo subtexto, pelas entrelinhas, pelo não dito, mas que acaba sendo sentido e descadeia uma série de coisas que me intrigam como escritora. Porque olhar o cotidiano é como encontrar muitos fios na meada, nesta trama complexa que é a vida. Mas sobre um tema, acredito que a “migração” é algo que me constitui e que me atravessa todos os dias. Ser nordestina e viver em São Paulo é sempre um assunto que mexe comigo. Porque resistir com os nossos sotaques nessa cidade é de uma complexidade sem tamanho”.
“Em “Nísia”, eu mergulhei nas problemáticas que a migração me fez atravessar para provocar um diálogo sobre como acolhemos as crianças que migram para uma grande cidade como São Paulo. Este tema da xenofobia, bullying e racismo me inquietam profundamente e fico muito atenta a como isso está impactando as infâncias. Como digo em Nísia, “sotaque é acento da alma”, portanto deveríamos ter o direito de falarmos com nossas almas sem nos sentir envergonhados ou menores. Mas o estigma que subalterniza o nordestino é muito profundo e isso me inquieta ferozmente”.
“Sinto que a literatura é um importante instrumento para nossa luta, ainda mais quando nos damos conta da privação que ao longo dos séculos vivemos e que nos impediu de acessar a escrita e a leitura. Cada passo que damos dentro do universo da literatura, seja como escritora, seja como leitora, avançamos todas nós. A literatura é um canal onde podemos nos comunicar e por onde acessamos, desde cedo, os pensamentos de tantas outras, que nos possibilitam romper fronteiras geográficas e temporais, que abrem fendas para o contato com outras experiências ora distantes ora similares as nossas e isso é muito poderoso, pois é um exercício de reconhecer a outra e também nos reconhecer. Ler mulheres é um ato político de resistência e construção de comunidades”.