Autoras
Minibiografia
Nascida em Natal/RN, pertence ao povo Potiguara Jacu de Baía Formosa, e sua formação é em Artes Plásticas (atualmente chamada Artes Visuais). Sua trajetória é atravessada pela arte em suas múltiplas linguagens e pela responsabilidade de dar continuidade à memória e à luta ancestral especialmente de meu povo Potiguara.
Eva Potiguara é escritora, poeta, artista plástica e educadora.
Entrevista
“A literatura entrou como um chamado ancestral. Antes mesmo de saber o que era “literatura”, eu já escrevia poemas em cadernos escolares. O primeiro texto que me marcou foi um poema sobre a água — como se, desde cedo, minha escrita estivesse ligada à terra e aos elementos da natureza que sustentam a vida”.
“Minha escrita é contracolonial. Ela enfrenta e denuncia as práticas racistas, misóginas e patriarcais, bem como os crimes históricos da invasão colonial e do capitalismo atual. Também trago como temas centrais a ancestralidade indígena, o feminino, a preservação das florestas e dos mangues, e a denúncia da destruição da natureza por interesses econômicos”.
“Sim. Ser mulher já é resistência; ser mulher indígena escritora é multiplicar essa potência. O mercado literário muitas vezes nos invisibiliza, mas existe também uma busca crescente por narrativas que rompem com o padrão colonial e eurocêntrico”.
“Sim. Minha escrita é denúncia e resistência. Denuncio o racismo, a misoginia, o patriarcado, a violência colonial histórica e atual, assim como a devastação ambiental que destrói mangues, matas e rios. Mas também proponho a palavra como lugar de cura, esperança e retomada”.
“Minha maior influência é Eliane Potiguara, que abriu caminhos para a literatura indígena no Brasil, mostrando que nossa voz tem lugar e potência. Também me inspiro em Conceição Evaristo e sua escrita da “escrevivência”. Essas vozes me ensinam que escrever é também sobreviver e lutar”.
“Sim, meu povo Potiguara Jacu de Baía Formosa e o território potiguar atravessam minha escrita. O Rio Potengi, o mar, o mangue, a mata — tudo isso está presente nas minhas palavras como testemunho e memória”.
“O mangue que acolhe o Rio Potengi e resiste há mais de cinco séculos de violência ambiental e colonial. Ele é fonte de vida, berço do camarão dos Potiguaras, guardião da mata ciliar. Sem o mangue, não há rio, não há vida. Todo leitor que reside no RN, ou visita Natal, deveria conhecer e lutar por este lugar que configura-se corpo/território dos nativos Potiguara que viviam há mais de cinco mil anos no Litoral do Rio Grande”.