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11 dezembro 2025 by

Autoras

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Fernanda Cunha

Estilo Literário: Dramaturgia , Poesia

Região: Leste

Cidade de Origem: Natal

Minibiografia

Nascida em 29 de janeiro de 1996, é graduada em Teatro e tem Mestrado em Artes Cênicas pela UFRN. É autora do livro Atávico (2024), publicado pelo selo Mariana Hardi, por meio da Lei Paulo Gustavo do município de Natal. Atua há mais de uma década nas áreas de literatura, dramaturgia e artes cênicas, com uma produção que transita entre poesia, teatro e audiovisual.

Tem experiência como dramaturga, atriz e pesquisadora, com obras que investigam temas como memória, corpo, violência e linguagem poética. É autora das dramaturgias Infértil (contemplada pelo edital Dramaturgas em Cena – Cia. Senhas, 2022), A Tragédia Mais Insignificante do Mundo (2019) e Duas Sombras Diante do Abismo (2021), além de performances e instalações como Todos os Filhos que Não Tive (2019).

Na área audiovisual, atuou em curtas como Sideral (dir. Carlos Segundo, 2021) — exibido em festivais internacionais — e Não Nos Deixeis (dir. Davi Revoredo, 2021). Também roteirizou, dirigiu e atuou na websérie Mood (2021), premiada no RioWebfest. Produz os podcasts Ruído-Arte (2024) e Eu sou um monsto (2025), voltado ao debate sobre processos criativos de artistas contemporâneos e a questões de aflições humanas a partir de obras literárias.

No campo acadêmico e crítico, publicou artigos e entrevistas em anais e periódicos, com destaque para o estudo Cartas de Amor e Violência (FUNARTE Digital), além de textos sobre dramaturgia e corpo feminino em Shakespeare.

Entrevista

Entrevista realizada em 19 de novembro de 2025.

“Tenho amor pelas letras, sinto que a alfabetização foi o grande aprendizado de minha vida. Desde muito nova pensava que escrever um livro seria meu maior feito no mundo, porque as palavras tem a força imensa de fazer o mundo mudar de eixo. Tenho um texto escrito aos sete/seis anos que diz “Se eu não soubesse escrever eu seria muito triste”. De fato, até hoje sou a criança que fui”.

“Não. Escrever para mim é um oficio diário. Escrever também acontece no ato de ler, quando as ideias se formulam primeiro na cabeça. Acredito que o escritor tem de ser um curioso, do mundo e da literatura, é preciso descobrir sempre o modo do outro para, através da alteridade, descobrir o próprio modo de fazer”.

“Acho que nossa vivência no mundo sempre impacta nossa escrita. Estar no mundo como mulher, nordestina, branca, me dá certos parâmetros de existência e de possibilidade pré-concebida que seriam distintas se fosse eu sulista, se fosse rica, ou se fosse homem. Ser mulher nos concede uma pré existência de limitações tantas que a escrita é sempre um ato de rebeldia”.

“Creio que toda literatura carrega em si a revolta, sobretudo a literatura escrita por grupos minoritários, carrega o peso atávico de muita proibição, então escrever é instaurar um novo parâmetro de mundo. Toda escrita é revolta”.

“Acredito, como disse Antônio Cândido, no direito universal a literatura, na literatura como um bem incompressível, assim como água, educação e moradia. Permitir o acesso a diferentes obras, é permitir o contato com diversos imaginários, é ampliar o repertório dessas novas gerações para leituras de mundo. Parece-me uma ideia formidável ser lida por jovens, porque eis aí nosso presente”.

“Primeiro, creio que o campo do teatro é um lugar ainda muito distante de grande parte da população. Se a literatura romancista já é de difícil acesso, o teatro é ainda mais, não por ser elitista ou algo assim, mas porque não temos a cultura de consumir obras dramatúrgicas como literatura. Apresentar aos jovens a estrutura de uma peça teatral é algo que pode ser inovador, muitas vezes na escola, esse pode ser o primeiro contato com o fenômeno teatral. Além disso trabalho com estruturas contemporâneas da dramaturgia, tendo uma formatação muitas vezes distinta, o que pode suscitar diálogos sobre a forma da literatura”.

“Leiam. Leiam mulheres, leiam livros de pessoas pretas, leiam livros de grupos minoritários, de exilados, de autores de países em guerra. Munam-se de imaginários distintos dos homens brancos eurocentrados, porque só assim daremos rumos distintos a nossas histórias, só assim poderemos construir outros mundos. Ler é também uma prática de escrita, porque construímos repertório e criatividade nada mais é do que isto”.

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A tragédia mais insignificante do mundo.

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