Autoras
Paula Érica Batista de Oliveira
Minibiografia
Nascida em 9 de janeiro de 1976, é graduada em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e especialista em Saúde Mental e Atenção Psicossocial pelas Faculdades Integradas de Patos (FIP). Possui, ainda, especializações em Educação, Pobreza e Desigualdade Social (UFRN) e em Educação Popular e Promoção de Territórios Saudáveis na Convivência com o Semiárido (FIOCRUZ/CE). Atualmente, ocupa o cargo de Coordenadora-Geral de Direitos da Pessoa Idosa na Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (SNDPI). Em sua trajetória e produções, destaca-se o profundo amor e a conexão com a região do Seridó.
Assistente social antimanicomial, poetisa, compositora e cantora.
Como poetisa e cantora assina como Paula Érica.
Entrevista
Entrevista realizada em 19 de junho de 2025.
“A partir das leituras na infância, impulsionadas por uma tia, a professora Francisca Batista, uma importantíssima educadora de Currais Novos, uma das precursoras do curso do Magistério no Instituto Vivaldo Pereira. Ela me presenteava com livros, o primeiro deles foi “Clarissa”, de Érico Veríssimo. Não lembro do primeiro texto que escrevi, mas certamente foi uma carta para minha vó ou para minha tia. Na infância e adolescência eu morava em Aracaju com meus pais (transação realizada em decorrência do fechamento das minas em CN). Sou filha e neta de mineradores.”
“Sim. O principal deles está relacionado ao Seridó e seus efeitos climáticos, culturais e sociais: terra, água, chuva, vento, aridez, religiosidade…além disso, tenho me debruçado mais a uma produção voltada às mulheres, além da relação entre poesia e música (poesia cantada).”Como a Literatura entrou na sua vida? Você lembra do primeiro texto que escreveu?
“Acredito que ainda estamos construindo um caminho potente de equidade de gênero na literatura. Embora a poesia tenha, há décadas, se destacado pela produção poética feminina, o patriarcado e seus atravessamentos ainda perduram e se refletem nesse cenário desigual. Ainda temos muito o que avançar no quesito acesso, acessibilidade e equidade, por exemplo. As escritoras negras, indígenas, ciganas, quilombolas, ribeirinhas, LBTs, refugiadas, em situação de rua, entre outras, por exemplo, ainda não estão no centro do acesso e da produção. Além disso, há um árduo caminho nessa travessia entre a escrita e a produção. O custo da produção é alto. Poucas escritoras conseguem realizar essa travessia.’
“Escrevo o que vejo, sinto e vivencio nas relações que estabeleço a partir das minhas experiências como mulher, artista, sujeita social e politica, e como assistente social. Nada se desgruda de mim nesse lugares que ocupo. Seja pela perspectiva social de um Seridó desigual, excludente, opressor, ou, por outro lado, pela beleza da fé, da espera da chuva, da leveza expressa na arte pulsante dessa terra, tudo se configura como atravessamentos poéticos na minha escrita. O mesmo se dá quando escrevo para e sobre mulheres.”
Materiais de divulgação, conteúdos e referências
Escrita
CALABOUÇOS
Antes de virar moça
Fazia do pão dormido
Alimento de escavadeira
Furava meus olhos
Vestia meus pés
Amamentava meus corvos
Em fileira de dia santo
Me transfigurava
A cada manhã
E trazia nas mãos
Um amor feito de rocha
Terra e alvorada