Autoras
Vera Lúcia B. Aguiar (Vera Fubá)
Minibiografia
Nascida em 24 de dezembro de 1981, em Natal/RN.
Vera Lúcia, como escritora, assina como Vera Lúcia Batista Aguiar (Vera Fubá).
Entrevista
Entrevista realizada em 11 de setembro de 2025.
“Minhas obras literárias têm como essência a valorização da vida em sua plenitude. Nos contos, trago personagens com deficiência inseridos em um contexto cotidiano, mostrando que estudam, trabalham, sonham, amam, sofrem decepções e vivem plenamente, como qualquer outra pessoa. Através dessas narrativas, busco desconstruir estereótipos e afirmar que a deficiência não limita a experiência humana, mas faz parte da diversidade que enriquece a sociedade.
Já na poesia, deixo falar o lirismo da alma. Escrevo sobre as flores e os beija-flores, símbolos de delicadeza e esperança, que se entrelaçam ao amor, à natureza e aos cenários da história. Minha escrita poética é marcada pela sensibilidade, pela contemplação e pelo desejo de transformar sentimentos em versos.
Assim, entre a força realista dos contos e a delicadeza lírica da poesia, minhas obras revelam a vida em todas as suas nuances — do cotidiano às metáforas, da realidade ao sonho”.
“O reconhecimento como escritora principalmente dentro de sua cidade”.
“Sim. Quero que as pessoas com deficiência sejam vistas como pessoas normais, como qualquer outra na sociedade, sem o olhar de pena ou a ideia de incapacidade. Vivemos em um tempo em que se fala muito sobre preconceito de gênero e sobre o racismo, mas pouco se discute o preconceito que sofrem as pessoas com deficiência.
Falo isso como mulher com deficiência, pois já enfrentei muito preconceito em diferentes lugares e situações, justamente onde não deveria haver discriminação, mas sim acolhimento — como na escola, no posto de saúde ou no transporte público.
Ainda assim, acredito que é possível transformar essa realidade. Quando eu estudava na Escola Estadual Doutor Severiano, em minha cidade de Macaíba, eu me perguntava: em meio a tantos alunos do ensino médio, onde estavam as outras pessoas com deficiência? Talvez muitas não frequentassem a escola por medo de enfrentar o preconceito e seguir adiante em seus caminhos”.
Escrita
Escrita
“Moro num sítio, pertencente a um município cujo nome já foi Coité, onde a maioria das pessoas tem como meio de transporte os próprios pés. Numa pequena escola, Escola Isolada Santo Antônio de Pádua, lá nos tempos joviais, todo mês era celebrada missa pelo Padre José.
Aqui tinha uma menina chamada Maria que, mesmo sendo deficiente das pernas, todo mês ia para missa andando num caminhar suave e tranquilo. Quando a missa acabava, o Padre José sempre levava Maria para casa de carro. E, no caminho sempre ele conversava muito com Maria. Maria não via nele apenas um Padre mas também um Grande Amigo” […].
Trecho do texto ‘Jovens Selecionados’ – Primeira escrita da autora.