Autoras
Minibiografia
Nascida em 27 de junho de 1978, é graduada em Letras pela UFRN; com Mestrado em Literatura Comparada pela UFRN e Doutorado em Literatura pela UFRN e UNAM; Possui Pós-Doc em Literatura e Teatro pela UFC.
É professora de Literatura na UERN (Campus – Mossoró) desde 2014.
Como escritora e transnordestina, assina como Leila Tabosa.
Entrevista
Entrevista realizada em 10 de novembro de 2025.
“Sim. Por hábito, escrevo todos os dias ao acordar. A minha necessidade de escrever é diária, ainda que não seja para publicar ou pensando em publicação, a atividade escrita é uma necessidade muito íntima minha. O ritual é acordar e escrever ainda que seja um parágrafo quase como uma conversa diária comigo. Mas a conversa é por escrito, delineando sentimentos/sonhos/pesadelos/urgências íntimas”.
“Sim. Ser uma escritora mulher é uma força impactante ao mesmo tempo em que pode se tornar um peso porque existem muitos momentos de sabotagens (auto) porque fomos “treinadas” a desacreditar de nossas escritas. E quando depois de muita luta interna nos colocamos como escritoras; e, mais ainda, quando nos posicionamos como poetas tanto a cobrança maior e a presença do modelo masculino canonizado. E, a partir disso, ainda nos situam em posição de “literatura menor”, a começar pelos termos e nomenclaturas. A recepção literária a uma literatura de autoria feminina seja conto ou romance ou novela, mas principalmente no gênero lírico, nos coloca em uma posição em que muitas vezes podemos receber “opiniões”, na maioria das vezes, disfarçadas de “crítica literária” apressada”.
“O primeiro e maior deles é conseguir publicar (tanto por questões econômicas quanto por questões muito antigas alimentadas pela herança patriarcal). Uma vez a obra publicada é um desafio conquistar espaços de leitura dessas obras (seja em escolas; seja em clube de livros; seja em Bienais; seja em festivais literários). Eu fiquei mais de vinte anos com o meu livro Ela Nasceu Lilás guardado. As razões são as mais variadas: desde a condição econômica para publicação à dificuldade de me posicionar como uma mulher escritora. Eu me escondi atrás da vida acadêmica e adiei o quanto pude a abertura de minhas gavetas literárias”.
“Eu escrevo literatura social, de enfrentamento feminino. Escrevo a partir da criação de personagens com camadas profundas de existência e de sobrevivência emocional e física, evocando não mais um lugar de personagem feminina em posição de subalternidade, mas a de uma eterna busca por outras formas de nos erguermos a partir de uma emancipação plena”.
“Escrevo para ser lida. Uma das minhas maiores emoções é quando estou em uma escola e vem uma estudante ou um estudante e me aborda para falar sobre alguma personagem do meu livro ou sobre algo que leu como um poema, por exemplo. As impressões dos estudantes da educação básica são as mais belas e as mais genuínas, pois são aquelas que nos chegam de forma mais terna e espontânea. A minha geração não tinha acesso a escritoras mulheres vivas. Era muito raro. Então estar nas escolas sendo lida como uma escritora viva e aberta ao diálogo estudantil é o prêmio mais valioso que nós desejamos receber”.
“Sim, completamente. Destaco o fato de que sou uma mulher latina, brasileira, nordestina que nasceu no Ceará e veio para o RN há quase 30 anos. Minha escrita traz esse chão de escrita e essas águas de escrita também. Escrevi um poema longo em louvação ao Rio Mossoró dedicado a João Cabral de Melo Neto porque o poema se chama a gata com sarna, é um poema social, em diálogo com o cão sem plumas“.