Autoras
Minibiografia
Nascida em 25 de abril de 1985, é graduada em História pela UFRN.
Atualmente trabalha na Secretaria de Educação do estado do RN.
Danielle de Medeiros Sousa, como escritora, assina somente como Danielle Sousa.
Entrevista
“Desde jovem era uma leitora muito assídua. Os livros eram meu porto seguro, uma viagem necessária, uma fuga. Comecei cedo, também, a escrever. Não lembro do primeiro texto, mas lembro que comecei escrevendo poemas”.
“É uma resposta que não tenho certeza se tenho, mas há sempre algo que a autora persegue. Não sei quem disse que escrevemos sempre o mesmo texto, por mais que a história mude.
Mas acho que identifico alguns elementos recorrentes: o calor e a vingança feminina”.
“A escrita vem de um lugar. Meu lugar de mulher influencia sim porque esse lugar social influencia a todos. Um homem branco que escreve, escreve do lugar dele porque cada uma fala de onde está (não tem como ser diferente), eu: mulher, parda, nordestina, mãe. Se buscar, acho esse lugar no que escrevo, mas não me sinto, nem quero, nem acho que se deve pensar, que estou presa a ele.
Sobre o mercado literário não sou eu que digo, mas os números. A pesquisa da Regina Dalcastagnè é importantíssima nesse sentido para vermos essa desigualdade que o mercado faz entre gêneros.
Mulheres são menos publicadas. Ainda consideradas nicho por mais que, percebo, nos últimos anos essa percepção venha mudando – muito, devido aos clubes de leitura que se dedicam a ler obras escritas por mulheres, exclusivamente. Por exemplo: O clube Leia Mulheres.
O Leia Mulheres Natal, do qual fui coordenadora por quase 10 anos, tem força e influenciou outros tantos clubes na cidade”.
“Nos meus últimos textos percebo que sim. Ando escrevendo muito sobre a vingança feminina. Ficcionalizada e pouco panfletária, mas nossas dores cotidianas, os feminicídios e os abusos que enchem as páginas dos noticiários tem me feito fabular essas mulheres raivosas”.
Materiais de divulgação, conteúdos e referências
Escrita
“[…] Ando sempre com charutos. Um prazer que me consome. Quando moradores da região começaram a desaparecer, pela minha experiência e modesta discrição, passei a me inteirar. Todas as noites, a pretexto de fumar fora de casa, finjo sair a esmo pelas ruas do bairro e não mais que uma vez, como hoje, novamente nesse vórtice, sou tragado para dentro da praça Buenos Aires, saindo das imediações da Avenida Santa Angélica, meus pés como se com vida própria a caminhar sem pausa até que meus olhos possam alcançar o sétimo (e único) andar iluminado do prédio onde a pintora vive” […].
Trecho do conto “Abaporu”.