Autoras
Minibiografia
Nascida em 26 de dezembro de 1989, é graduada em Comunicação Social – Jornalismo pela UFRN e especialista em Literatura, Arte e Pensamento Contemporâneo e Mestra em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Publicou seu primeiro zine de poemas, Catavento, em 2013. Em 2022, publicou de forma independente “Esse lugar que a ausência ocupa”, seu primeiro livro de poemas.
É escritora e organizadora da antologia Risco, de 2024, e como co-roteirista, lançou seu primeiro curta-metragem, “Trajeto do Desmoronamento”, em 2025, ao lado da diretora Helena Antunes. Em outubro de 2025 lançou sua primeira prosa poética, “Eu sou o animal da minha mãe”.
Vanessa Augusta Cortez dos Santos Cunha, como escritora, assina somente como Vanessa Augusta Cortez.
Entrevista
Entrevista realizada em 25 de junho de 2025.
“Acredito que eu tenha algumas respostas, porque tem os primeiros textos que escrevi com alguma consciência de que queria escrever, mas tem também os textos de escola que começavam com “Era uma vez“. Recentemente, encontrei esse, que considero o primeiro texto que escrevi, na segunda série do ensino fundamental. É a história de um urso. Mas as histórias e roteiros sempre estiveram na minha cabeça, era o meu jeito de brincar e inventar realidades. Construía os textos falando em voz alta ou narrando só interiormente.
Muito depois, quando estava na faculdade de jornalismo, comecei a escrever no meu primeiro blog. Ali que tudo começou. Quando eu comecei a ser lida acho que começou o meu processo consciente de escrita”.
“Não tenho ritual, porém, não sento para escrever no vazio. Por exemplo, é raro que eu sente em frente a uma página em branco sem que eu já tenha uma ideia mais ou menos clara do que quero falar, de uma cena, de um gesto. A escrita começa em mim antes do papel e eu vou lapidando na minha cabeça a ideia, como uma espécie de maturação ou edição mesmo. É comum que eu chegue ao papel com um texto em ponto de bala, mas porque ele já estava se formando na minha cabeça. O que acontece quando o escrevo é que ele vai tomando outras formas, se aperfeiçoando, consigo trabalhar melhor nele, editar e talvez ele vire outra coisa. Mas começa sempre a se criar antes”.
“Acredito que sim. Tenho percebido que falo muito sobre quebras e lutos. Internos ou externos. Falo de cenários e pessoas em ruínas. Na poesia, mostro um tanto de sujeira que tem no humano, mas procurando a beleza por trás disso. As coisas que são ínfimas e, por isso, enormes. Creio que em geral falo de dores muito humanas e compartilhadas. Talvez eu fale sobre o que se tem dificuldade de dizer no cotidiano e isso sai na escrita”.
“Caramba. Difícil essa pergunta. Acho que o mercado literário, hoje, é complicadíssimo, mas complicado de outra forma. Acredito que o livro virou uma grande mercadoria e os escritores precisam se mostrar mais, se exibir, demonstrar relevância. Não é só escrever e esperar que as pessoas leiam e reconheçam o trabalho. Existe toda uma indústria que tem a ver com redes sociais, performance, estar em eventos. Hoje, existem muitas oportunidades de se lançar um livro e já não acho que a exclusão se dê tanto pra mulher porque ela é mulher. Mas, sim, espera–se que da mulher que ela escreva coisas de mulher, ainda. E existe um estigma forte sobre o que é literatura feminina. Acho que o reconhecimento continua sendo muito difícil, mas por outros motivos”.
“Acredito que no meu novo livro, sim. Mas essa nunca foi uma preocupação. Tenho dificuldade de colocar o político dentro do que escrevo de forma proposital, me soa falso. Mas a gente sempre escreve de um lugar no mundo. E eu sou uma mulher, nordestina, sem grandes recursos, mestiça. É desse lugar que escrevo, então, possivelmente, minha escrita vai ser atravessada por isso. Atualmente, estou finalizando um livro que tem como pano de fundo a ideia de “economia do cuidado”. Essa foi a primeira vez que construí algo intencional assim, partindo de um ponto político, mas sem querer ser panfletária”.
Materiais de divulgação, conteúdos e referências
Escrita
“[…] os homens falam tanto dobre conquistas que a gente acredita
que os dias são uma competição
descubro que são mesmo
de outro tipo
tipo uma prova de quem aguenta mais
A rotina é à prova de heróis
é à prova de resistência
e o sol vai mudando de direção
enquanto deita na parede
quando as horas passam”.
Trecho da obra “eu sou o animal de minha mãe”, 2025.